33 Meses de Execução

Processos de longo prazo e legado no Vale do Ribeira

O Projeto Socioambiental desenvolvido em Cajati e Miracatu consolidou-se como uma experiência estruturante de educação ambiental, climática e territorial no Vale do Ribeira. Financiado pela Sabesp e executado pela PreserValle Soluções Ambientais Inteligentes, o projeto foi conduzido ao longo de 33 meses de execução contínua, tempo decisivo para a maturação pedagógica, a consolidação institucional e a perenização das ações no território.

Desde a concepção, o projeto foi pensado como processo e não como intervenção pontual. A opção metodológica foi integrar educação ambiental, saneamento básico e gestão da bacia hidrográfica à vida cotidiana, criando condições reais para que escolas, comunidades e instituições públicas assumissem protagonismo na transformação socioambiental.

Território do Vale do Ribeira
ODS ONU

Agenda 2030 e ODS como linguagem comum de ação

A Agenda 2030 foi incorporada como instrumento prático de leitura e organização do território. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) orientaram formações, mobilizações, materiais educativos e estratégias institucionais, traduzindo metas globais em práticas locais, compreensíveis e aplicáveis.

Esse alinhamento fortaleceu, em especial, os eixos ligados à educação de qualidade, água e saneamento, ação climática e consumo responsável, permitindo que educadores, estudantes e comunidades reconhecessem a Agenda 2030 como ferramenta de decisão e não como referência distante. Ao longo dos 33 meses, os ODS passaram a orientar projetos pedagógicos, ações comunitárias e práticas institucionais, consolidando uma cultura pública de sustentabilidade no território.

Protagonismo do território e leitura da bacia hidrográfica

O projeto partiu do entendimento de que o território não é cenário, mas sujeito educativo. A bacia hidrográfica organiza a paisagem, a economia, a cultura e a própria relação das pessoas com a água e o saneamento. Por isso, rios, nascentes, sistemas de saneamento, áreas rurais e núcleos urbanos foram assumidos como conteúdos centrais do processo educativo.

Essa abordagem fortaleceu o pertencimento territorial e ampliou a consciência sobre interdependência: saneamento como cuidado coletivo, água como bem comum, clima como realidade vivida e território como sistema vivo. A leitura integrada da bacia permitiu conectar ciência, saberes locais e políticas públicas, produzindo aprendizagem situada e duradoura.

Participação social como método permanente

A participação social foi tratada como eixo estruturante ao longo de todo o projeto. Educadores, estudantes, gestores públicos, técnicos e atores comunitários participaram ativamente do planejamento, da execução e da consolidação das ações.

Esse envolvimento garantiu legitimidade, aderência ao território e continuidade. As práticas desenvolvidas não se encerraram com o calendário do projeto; seguiram ecoando nos municípios, fortalecendo redes locais e ampliando a capacidade de ação coletiva no Vale do Ribeira.

Formação continuada e alfabetização ambiental

A formação continuada foi organizada como processo de alfabetização ambiental, voltada à qualificação de educadores como multiplicadores. Aproximadamente 500 professores e coordenadores pedagógicos participaram de percursos formativos estruturados, com conteúdos integrados de educação ambiental, Agenda 2030, gestão de recursos hídricos, saneamento básico e mudanças climáticas.

Essa formação ampliou o repertório pedagógico das escolas e sustentou práticas interdisciplinares, assegurando que o conhecimento produzido permanecesse ativo no cotidiano escolar e institucional.

ODS ONU
Um eixo transformador

Qualidade do ensino e pertencimento territorial

Um dos impactos mais consistentes do projeto foi a elevação da qualidade do ensino público, diretamente associada ao fortalecimento do pertencimento territorial. Ao trabalhar o território como fonte pedagógica, o projeto qualificou práticas de ensino, aumentou o engajamento dos estudantes e ampliou a capacidade de leitura crítica da realidade local.

Quando a escola passa a ensinar a partir da água que se consome, do saneamento que se utiliza, da bacia que se habita e do território que se compartilha, o aprendizado ganha sentido. O pertencimento deixa de ser discurso e se torna prática educativa, fortalecendo vínculos, identidade local e responsabilidade coletiva.

Impacto Pedagógico

O aprendizado ganha sentido quando conectado à realidade vivida e ao território compartilhado.

Resultados consolidados e reverberação contínua

Ao longo dos 33 meses de execução, o Projeto Socioambiental desenvolvido em Cajati e Miracatu consolidou resultados expressivos, construídos de forma gradual e articulada, refletindo a consistência metodológica e o enraizamento territorial das ações.

  • Formação e mobilização de aproximadamente 500 educadores, por meio de processos continuados de alfabetização ambiental;
  • Impacto direto em mais de 7.000 estudantes, abrangendo redes municipais, estadual e educação especial;
  • Captação de recursos para financiamento de iniciativas de saneamento rural, articuladas a partir do fortalecimento institucional e da mobilização social promovida pelo projeto;
  • Captação de recursos para ações de comunicação social, ampliando a difusão dos temas relacionados à água, saneamento, educação ambiental e território;
  • Envolvimento de cerca de 50 organizações e entidades parceiras, entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e atores locais;
  • Produção de conteúdos educativos e materiais territorializados, concebidos para uso contínuo na educação formal e informal;
  • Realização de seminários e ações públicas voltadas à educação ambiental, saneamento e mudanças climáticas, fortalecendo o debate regional.

A experiência também ganhou destaque em eventos regionais, nacionais e internacionais, sendo reconhecida como referência em educação ambiental, saneamento básico e gestão de recursos hídricos, reafirmando o papel do território como espaço estratégico de aprendizagem, participação social e transformação coletiva.

Esses resultados extrapolaram os limites dos municípios de Cajati e Miracatu e passaram a ecoar em todo o Vale do Ribeira, influenciando novas iniciativas, orientando projetos subsequentes e fortalecendo a cultura pública de gestão socioambiental integrada.

Sistematização metodológica e registro bibliográfico

A metodologia de Educação Ambiental, Climática e Territorial desenvolvida pela PreserValle, assim como os resultados, aprendizados, processos formativos e impactos gerados ao longo dos 33 meses de execução do Projeto Socioambiental em Cajati e Miracatu, foram sistematizados e publicados no livro Educação Ambiental, Climática e Territorial.

A obra reúne o percurso conceitual e prático do projeto, registrando a experiência como referência estruturante para a formulação de programas, projetos e políticas públicas voltadas à educação ambiental, ao saneamento básico e à gestão integrada dos recursos hídricos, sempre a partir do território e da participação social. Esse registro editorial consolida o projeto como legado técnico, pedagógico e institucional, assegurando a difusão qualificada da metodologia PreserValle e fortalecendo sua aplicação em diferentes contextos territoriais.

Livro Educação Ambiental, Climática e Territorial

Projeto norteador e legado territorial

O Projeto Socioambiental em Cajati e Miracatu consolidou-se como referência norteadora por demonstrar que a difusão da Agenda 2030 e dos ODS se fortalece quando nasce do território, valoriza a participação social e investe na educação como processo contínuo.

Trata-se de um legado que permanece ativo: práticas que se mantêm, redes que seguem articuladas e um repertório metodológico capaz de orientar ações em diferentes territórios, respeitando singularidades e promovendo perenização. Ao final do processo, todos os resultados, metodologias e aprendizados foram sistematizados e publicados em obra editorial, assegurando registro, transparência e difusão qualificada do conhecimento produzido ao longo do projeto.